Na estrada rumo ao sul

No horizonte a estrada reta rumo ao sul, no rádio aquelas músicas que escolhemos com carinho e discussão para a viajem, no céu as cores do fim de tarde, ao volante eu, dirigindo sem pretexto para nosso fim de semana juntos. Tinha tudo para ser uma cena comum e corriqueira na vida de qualquer pessoa, nada relevante era digno de se prestar atenção, somente o caminho.

Foi então que olhei para o lado e tudo mudou. Tudo começou a fazer sentido e eu descobri, naquele momento, o que eu queria para o resto da minha vida. O que eu vi? Eu a vi. Lá estava ela, sentada no banco do carona, olhando para o celular. Ela estava perfeita. Suas pernas estavam esticadas sobre o painel do carro, cruzadas entre si de maneira tão sutil que fica quase impossível descrever. Seus pés descalços faziam pequenos movimentos com o balanço do carro e a ponta de seus dedos esbarrava no para-brisa. Aquele short deixava a brisa fresca do clima de montanha abraçar toda a sua pele desprotegida e provocava pequenos arrepios, não aqueles arrepios de frio, mas aqueles que são a maneira como a pele conversa com a natureza. O vento entrava pela janela e levantava seus cabelos castanhos, a forma com a qual o movimento dos cabelos se alinhava com o rosto era incrível, formava quase uma dança entre o casual e o esplêndido. Seu rosto estava com uma expressão leve olhando para o celular, provavelmente ela estava feliz com o que estava vendo, pois pequenos sorrisos de canto de boca surgiam de maneira alheatória, não o suficiente para mostrar seu sorriso, mas o suficiente para mostrar suas covinhas na bochecha. Seus olhos estavam tampados pelos óculos escuros que ela demorou dois meses para encontrar o modelo certo, mas isso não diminuía a grandeza do seu olhar.

Ali, naquele momento, me dei conta que tinha uma mulher incrível ao meu lado e que eu faria de tudo para conquista-la para sempre. Mas então, o destino se mostrou surpreendentemente perfeito. Uma nuvem no céu resolveu dar espaço para aquele Sol amarelado de fim de tarde e seus raios atingiram o carro com toda a sua grandiosidade, os raios acertaram os cabelos dela e ofuscaram sua visão para o celular. Então, ela levantou seu rosto para deixar o sol acerta-lo, retirou os óculos escuros e ainda de olhos fechados, com um sorriso lindo e brilhante, levou uma de suas mãos ao cabelo para ajeitá-lo. Em algum momento dessa cena seu celular já não era mais importante e estava no assoalho do carro, sua postura foi corrigida sutilmente e um suspiro profundo de paz tomou conta de seu peito. Aquela cena não poderia ficar mais perfeita, ou poderia?! Em meio a esse mar de sutilezas ela virou seus olhos em minha direção, observou que eu estava ali em silêncio paralisado com o momento que eu estava presenciando e abriu um sorriso ainda maior, um sorriso que era para mim e mais nada. Sua mão delicadamente escorregou pelo carro até chegar a minha mão que estava no câmbio e entrelaçou nossos dedos. Seu corpo em instantes foi projetado em minha direção e em uma fração de segundos sua cabeça já estava repousando em meu ombro direito. Em um gesto de respeito e carinho ela levou minha mão até seus lábios e a beijou amorosamente. Naquele momento de ternura, sem a menção de uma só palavra o destino me mostrou que eu não precisava tentar conquistá-la, ela já era minha e eu já era dela.

Agnes Martins

Nascida e criada em Belo Horizonte, Agnes, é formada em publicidade e propaganda com pós em Marketing e Comunicação. Geminiana, com ascendente em aquário e vênus em áries. Ama assistir seriados, ler livros e escrever sobre tudo nas horas vagas.

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