Seu sobrevivente

Clara,

Dizem, e dizem sempre quando estamos tentando superar um término de namoro, que o tempo curará nossa dor, que o tempo será capaz de apagar aquele sentimento de perda que arrasta e perpetua todos os dias depois do último adeus. Mas, a verdade é que já se passaram cinco anos, sim, cinco anos esperando o tempo fazer com que eu esqueça de você, a mulher mais lindamente sacana que passou pela minha vida, mas infelizmente ele não foi capaz de fazer com os meus sentimentos igual você fez comigo: pisar, destruir, humilhar e seguir sem olhar para trás.

Escrevo essa carta para você, apenas para expressar um pouco do que guardo dentro dos meus mais íntimos pensamentos, dos mais ocultos gritos de ajuda para te esquecer. Aqueles 1 ano e 7 meses que fiquei ao seu lado foram ótimos, pelo menos para mim, eu me desenvolvi em potencial máximo e você com toda a sua percepção de interesse tirou o melhor de mim em todas as minhas áreas de domínio. Quando meu tempo ao seu lado se foi, descobri o monstro que você era, o mostro que dormia ao meu lado nas noites mais frias. Descobri que estar ao meu lado era só a forma mais rápida que você tinha para alcançar seus objetivos próprios. Descobri que o amor existia de maneira unilateral, e que a outra parte devolvia com estratégias de batalha. Descobri, que o meu melhor foi para aprimorar o seu pior.

Mas não quero falar aqui de todas as dores causadas por você ao meu antigo eu, quero te agradecer por me forjar e me transformar em um novo tipo de mostro, não igual a você pois não teria tal capacidade, mas do tipo que tenta todos os dias amar um novo alguém, confiar em uma nova mulher, mas é incapaz de não decepcioná-la. Pois agora esse monstro se envolve já esperando o pior da outra parte e o resultado disso são noites e noites sozinho aguando seu jardim de felicidade que está morto e ressecado.

No fundo espero que você se desculpe um dia, não a mim ao qual você nunca respeitou, mas a todas as mulheres que entraram em minha vida depois de você (algumas simplesmente incríveis e verdadeiras, dispostas a cuidar e reconstruir aquilo que você deixou em ruínas) e não tiveram a chance de me fazer feliz. Por favor, tenha um pouco de compaixão e peça desculpas a elas, pelo menos para seu carma diminuir no dia que palavras pararem de significar sentimentos e os sentimentos começarem a se transformar em palavras nunca ditas.

Seu sobrevivente de ruivas emocionais,

Paulo.

por Raphael Giovanni

Agnes Martins

Nascida e criada em Belo Horizonte, Agnes, é formada em publicidade e propaganda com pós em Marketing e Comunicação. Geminiana, com ascendente em aquário e vênus em áries. Ama assistir seriados, ler livros e escrever sobre tudo nas horas vagas.

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